
Quatro horas depois de chegar à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ficaria se recuperando de uma bem-sucedida cirurgia de aneurisma coronariano, o professor José Ubiratan Rosário sentiu-se mal e, apesar das tentativas dos profissionais que o atenderam, morreu às 22 horas da noite de sábado, 24. O corpo foi velado na sede da Academia Paraense de Letras, onde ocupava a cadeira 28, cujo patrono é Leopoldo Sousa. Ocuparam a cadeira 28 os jornalistas Paulo Maranhão e Paulo Maranhão Filho e o jurista Pedro Martin de Mello. Agora, ela está vazia.
Nascido no município de Viseu, Ubiratan Rosário criou-se em Castanhal e Santarém, até mudar-se definitivamente para Belém. Foi aluno do Colégio 'Paes de Carvalho' e graduou-se em História, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Aprovado em concurso público, passou a lecionar História Medieval, Antropologia, Folclore e Cultura Brasileira. Ao longo dos anos, construiu uma sólida carreira no magistério e em instituições culturais. 'Com a morte do Ubiratan, não apenas a Academia de Letras, mas a cultura do Pará perdem um dedicado estudioso. Nós perdemos, na APL, um confrade muito querido. O mundo perde um homem bom', disse o presidente da Academia, professor Édson Franco.
Sócio-efetivo da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), membro do Conselho das Comunidades Luso-Brasileiras e da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), integrou o grupo dos pesquisadores e antropólogos do Centro Regional de Antropologia de Urgência Brasil, dirigida, em São Paulo, pelo antropólogo Orlando Sampaio Silva. Em Oxford, na Inglaterra, apresentou a comunicação Carlos Gomes e o sagrado lusoamazônico, publicada nas Actas do Quinto Congresso Mundial de Lusitanistas (dois volumes) sob os auspícios da Universidade de Oxford, O texto circulou por mais de três dezenas de países.
José Ubiratan Rosário pertencia, também, ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará, à Comissão Paraense de Folclore, à Academia Paraense de Jornalismo e a dezenas de instituições. Editava, uma vez a cada dois meses, um jornal chamado 'O Pássaro', destinado à divulgação do folclore paraense. Na APL, conquistou o prêmio 'Samuel MacDowell' e o 'José Veríssimo', da Academia Brasileira de Letras, com a obra 'Amazônia - processo civilizatório: Apogeu do Grão-Pará'. Centenas de amigos foram se despedir do escritor, cujo corpo foi sepultado ontem à tarde.

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